Outono
As folhas caem como se do alto
caíssem, murchas, dos jardins do céu;
caem com gestos de quem renuncia.
E a terra, só, na noite de cobalto,
cai de entre os astros na amplidão vazia.
Caimos todos nós. Cai esta mão.
Olha em redor: cair é a lei geral.
E a terna mão de Alguém colhe, afinal,
todas as coisas que caindo vão.
Quando, na fé, aceitamos o Outono, sabendo que alguém estará com a mão estendida, esperando para nos acolher, aquilo a que chamamos Morte deixa de ser algo cruel e doloroso. E, se há, naqueles que ficam, a saudade da ausência física, há também a certeza de que aquele a quem amamos voltou para sua verdadeira casa e foi ternamente acolhido pelo pai.
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