domingo, 23 de agosto de 2009

Mais simples.

Devia ser mais simples viver. Sem muita frescura ou filosofia barata.
Só viver, sem ter que explicar o motivo do choro, da tristeza, do silêncio, da alegria, da falta de apetite ou da gula extrema.
E quem dera amar sem explicar e sem ter medo. Mas se não amamos, somos esquisitos, insensíveis e problemáticos. Se revelamos o amor e nos declaramos, somos exagerados, afobados e ingênuos. Uma declaração sincera de amor pode ter colocar em uma cilada,o amado pode se aproveitar e fazer de algo tão sublime um inferno. Devia ser só amor e basta.
Devia ser mais simples ser sincera. Quantas amigas e amigos perdemos por sermos sinceros?
Por que tanta gente confunde sinceridade com falta de educação? Será que a verdade dói tanto? Quantas mentiras ou meias verdades temos de ouvir e engolir com raiva e dor de estômago? Eu nem sei, só sei que mentira fede. Por isso louvo os sinceros, mesmo que sejam rudes,às vezes.
Por que agradar todo mundo, se no fundo ninguém o considera tanto assim? Que mania chata de ser agradável e super gentil, educação basta. Nada de rodeios e firulas. Percebemos a falsidade no ar. Coisa insuportável.
Devia ser assim: cada amigo pensa de um modo, mas amigo além de pensar é bom para sair, ir pescar, tomar umas cervejas, almoçar junto, viajar para lugares lindos, andar por aí sem rumo. Amigo pode até torcer para outro time, mas muito melhor que ver o time vencer é ir ao estádio com um amigão, comer cachorro-quente suspeito na entrada, tomar chuva, cantar hinos de guerra, xingar o juíz, dar abraço na hora do gol, lamentar o penâlti perdido, dar palpite para o técnico e voltar para casa fedido, sujo e feliz da vida por passar deliciosos 90 minutos ao lado de alguém tão maravilhoso.
E por que se preocupar em mostrar para os outros uma pessoa perfeita? Há alguém no universo assim? Então, me diga para que tanta perfeição? Coisa besta e sem sentido.
Devia ser mais simples dar opiniões. Eu não gosto ponto. Eu adoro ponto. Para que explicar se no fundo, nem nós temos certeza das nossas predileções.
Devia ser mais simples olhar para uma pessoa e só ver a pessoa. Mas e o juízo de valor que damos para tudo ou todos?É feio, é bonito, é inteligente, é gay, é canalha, é isso ou aquilo. As pessoas são pessoas e ponto. O que considerar sobre elas? Que merecem respeito, devem ser tratadas com igualdade e justiça e só. Gostar delas vai depender do grau de envolvimento ponto.
Devia ser mais simples orar, é só ter fé. Para que fanatismo religioso? Aliás, para que fanatismo, ufanismo, nazismo, facismo, partidos, religiões e racismo? Não somos fruto da mesma evolução. Descendentes de uma mesma espécie? Devia ser mais simples ser humano.
Para que brigar por política, se no fundo ninguém nenhum deles nos representa? A não ser que você leitor seja membro da elite industrial ou agrária do país, pois caso contrário, somos povo, e povo é gado, come pasto, rumina as próprias dores e morre abatido pela ignorância e pobreza.
E brigar por causa de político que não o considera, que feio, você deveria arrancá-lo do poder, e não orgulhar-se por colocar mais um patife no comando. Presta atenção! Não se briga com amigo ou vizinho por opiniões divergentes, com amigo e vizinho você luta para viver em uma rua melhor, em um país melhor e quem sabe em um mundo melhor.
Devia ser mais simples, não? Mas por que mesmo complicamos?

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