domingo, 15 de fevereiro de 2009

Vergonha.

Alguns sentem vergonha do corpo, outros de coisas que fizeram no passado. Eu tenho vergonha do povo brasileiro. Encaro biquini na praia, encaro meus erros de cabeça erguida, pois foram eles que fizeram a mulher que sou, só não encaro o povo brasileiro. Mentirosos, corruptos, ladrões, incompetentes, impotentes, falsos, oportunistas, cínicos, excludentes, racistas. Tenho vergonha de mim por causa dos brasileiros que roubam leite na calçada do vizinho no Canadá, tenho vegonha de mim quando alguém finge ser vítima do que não é lá na Suiça, sinto vergonha de mim quando essas malditas despem-se de honra , senso de trabalho e ética pra ficarem nuas por qualquer trocado. Sinto nojo dos castelos bregas e sem nenhum senso de estilo construídos com meus impostos em Minas Gerais, tenho raiva futeboleiros que vivem na mira dos tablóides por causa de drogas, estupros e fraudes. Estou enojada das pessoas e de tudo o que mundo é. Cresci com outros valores, com outras ambições e ideais. Enfim, sonhei com o absurdo de sermos pelo menos um povo unido, correto e batalhador( como afinal, muitos de nós o é) que lutaria contra as injustiças e o descaso social. Sonhei, sonhei, sonho e estou na luta. Por enquanto...


Perfeição
Legião Urbana
Composição: Renato Russo


Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...
Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...
Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...

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