É duro entender o que acontece. Se pudesse entender, acho que teria sofrido menos. Mas, se tudo soubesse nada seria novo ou bom para mim. Tive que aprender, não teve jeito. Grande parte da lição dolorosa foi responsabilidade minha. Confesso: eu precisa crescer, amadurecer e encontrar um caminho. Demorei muito pra sair da fase das grandes ilusões e dos grandes encantamentos e compreender que a vida é mais que um sonho, é um mundo que deve ser construído.
E foi uma passagem difícil, tive que expulsar demônios, superar medos e vencer meu orgulho. Tudo de uma vez só assustou-me, mas fiquei mais esperta, mais seletiva, mais centrada, mais certa de quem sou e o que quero.
Precisei de forças para encarar meu medo esses dias. E descobri que posso vencê-lo. Apesar de alguma expectativa, definitivamente sei que não quero me aproximar mais do monstro, não quero ser como ele!
Eu só precisava dessa certeza. Só isto. Não quero ser alguém que passa pela vida sem vínculos, sem uma história, sem algum estímulo. Não quero viver com medo de sentir, de sonhar e de ser feliz. Talvez esteja na contramão da contemporaneidade, talvez ninguém queira ser assim. Mas eu sou! Talvez assim, sofra mais por não me adaptar a tudo, não acatar tudo e não aceitar tudo como está só porque, simplesmente, está aí. Sempre fui rebelde. Até para amar me rebelo. Porque tudo isto que está aí já não me contenta.
E para ser sincera, mesmo não muito confiante na madame esperança, acredito que ainda há uma canção para ser escrita.
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