Demora, mas um dia a gente percebe que passa mais tempo remoendo o que não deu certo do que aquilo que foi um sucesso.
Lembro do primeiro não, mas não saborei o dia do primeiro sim.
Chorei pelo amor que se foi, mas pouco fiz daqueles que um dia me amaram.
Ainda está viva na memória a cena do professor de física me humilhando porque eu não sabia nadica de nada sobre força elástica, mas me esforço para sentir o doce sabor de ter entrado na faculdade direto, sem cursinho, sem aula particular, só com meu esforço. E não venha dizer que o curso era fácil. Se fosse tão fácil, todos entrariam, ok?
E quantos nãos até encontrar o primeiro emprego estão na minha memória? Zilhões, mas não lembrava da doce sensação de ser escolhida para a vaga.
Quantas vezes odiava pensar que não conseguia dirigir e, hoje nem percebo que estou na pista ouvindo música e paquerando os harleiros.
E quantas vezes pensei nos desaforos e maledicências que todos me disseram, mas esqueci os elogios sinceros.
Enfim, deu um estalo há algum tempo. Percebi que colecionava tristezas e poucas alegrias. Decidi inverter o processo: para cada coisa ruim penso em três boas. Nem precisei de terapia, só de maturidade e de tempo para perceber que apanhei muito da vida e apanharei mais um tantinho, mas que isso não significa ficar sofrendo pelos cantos. No fundo, foi um grande exercício de libertação. Não sei se ainda entendi o processo, só sei que não me sinto mais presa a nada, de repente me libertei, só demorei para voar. Acho que é isto ...
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