Por acaso em um dos corredores do hipermercado encontrei uma amiga do antigo colegial.
Em qual momento nos dirigimos para caminhos tão opostos?
Éramos puro sonho e energia, sorríamos de tanta bobagem e tínhamos medo de tantas coisas.Era minha cúmplice, talvez porque como eu ela era gordinha e pobre demais em uma sala de meninas tão lindas e ricas. Foram tantos planos que couberam em um caderno, talvez porque nossos sonhos fossem melhores que as fórmulas matemáticas que insistiam em nos enfiar goela abaixo.
E no final, cada uma seguiu seu caminho. Fui para uma boa universidade e lutei como leoa brava para permanecer e sair dela. Fiz o meu melhor e fui para a vida conquistas essas coisas que todos valorizam: carro, casa e contas para pagar.
E ela? Bem, ontem no mercado encontrei uma mulher décadas mais velha que eu, que possui filhos demais, dinheiro de menos, sonhos invisíveis, um marido insipiente. Mas fiquei apavorada com o olhar e o sorriso. A menina que queria fazer artes cênicas e vibrava com a vida, morreu!
Em momento algum ela sorriu. E que sorriso ela tinha.
Eu não sei o que aconteceu, se eu errei ou acertei é difícil dizer. O mesmo vale para ela. Mas como pode um sorriso tão lindo morrer?
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